Toda a semana não pensei noutra coisa: e se eu imaginasse ser maior que qualquer problema?
Tenho andado afastada do "mundo blogueiro" por falta de tempo e, sobretudo, por falta de inspiração. Há momentos em que a inspiração, simplesmente, se dilui com o cansaço e não sobra nada, mesmo nada. Ainda assim, no vazio que tem sido a minha inspiração, houve espaço para muita reflexão.
E, por vezes, o melhor mesmo é esvaziar a mente. Esvaziá-la de tudo o que não tem conteúdo nem forma adequada, de tudo o que não serve ou não se enquadra. Esvaziar corpo, mente e espírito de tudo o que é superficial. A vida enche-se de cores atractivas, mas no fundo secas e enganadoras; enche-se de estímulos curtos e explosivos, mas no fundo viciantes e manipuladores. Nada satisfaz ou sacia a sede de mais. Têm-se sede de viver. Mas não se vive.
Estabelece-se ritmos e padrões de vida que nada tem a ver connosco, com aquilo que realmente queremos, procuramos e precisamos. E é assim que deturpamos o nosso caminho. Acomodamo-nos a uma vida porque é mais cómodo ou seguro. Não há tempo nem lugar sequer para questionar. Aparenta-se viver.
Confundimo-nos no ruído constante da vida e esquecemos o que somos, perdemos a paz e deixamos de procurar o nosso íntimo. Esquecemo-nos de ouvir o silêncio. Esquecemos de nos escutarmos em silêncio. Convencemo-nos que a realidade da vida é essa (a vida é má, é para ser sofrida, é difícil), que não há saída possível. Perdemos as estribeiras, gritamos, esperneamos, rodeamos os problemas (sem nunca os encararmos de frente), fugimos. A maior parte das vezes, alimentamos neuroses e agressividade, por puro egoísmo, por orgulho (ferido). É difícil, é complicado, não consigo... são frases que nos habituamos a atirar ao vento. Mas, quanto mais assim dizemos mais assim a realidade se assemelha negativa. Sentimo-nos frustrados, compadecidos com a própria dor, ai de mim, coitada de mim.... sim, gostamos de nos sentir miseráveis. E não é assim tão fácil desenraizar isto. São nada mais que pedidos de ajuda dissimulados - que o orgulho, muitas vezes, se coíbe de o fazer directamente.
De nada vale espernear, gritar, chorar, fugir. Devíamos usar esse tempo de forma mais proveitosa - a resolver os problemas pela raíz. O ideal seria um afastamento relativo à situação, para a podermos avaliar correctamente e agir de acordo. Agir como se fossemos maiores que qualquer problema...
E assim passei estes últimos tempos a esvaziar a cabeça de tudo o que não tinha importância, de tudo o que não me faz feliz. E cheguei a várias conclusões. Uma delas é esta:
Sempre fui muito insegura. Fazia a vida a medo. Vivia ao ritmo da maré alheia.
Talvez por isso, nunca fui uma rapariga de muitas certezas na vida.
Mas há uma certeza que guardo em mim.
Como uma verdade.
Uma certeza que não se explica.
Uma certeza que nasceu no momento em que te conheci.
É o saber-te aí. Presente, mesmo que em silêncio. Seguro, mesmo que invisível aos meus olhos. Inteiro, mesmo que não possa tocar-te.
É o sentir-te aqui. De corpo e alma. Pleno e magnífico.
Porque sem te pedir, me mostraste o quão grande é o mundo. Porque me fizeste acreditar que era possível sorrir da solidão e superar todos os medos. Porque me ensinaste a cantar mesmo sem estar afinada e a ver o sol mesmo num dia de chuva. Porque me disseste que louco é o que se acha normal. Porque não? Porque sim. Porque me apresentaste à felicidade e disseste que podia ser minha para sempre. Basta querer. Porque me seguraste nas mãos e de olhos meigos disseste: estarei sempre aqui. Basta que me chames.
E eu acredito.
Sei que estarás sempre aqui. E eu estarei sempre aí.
Entra e senta-te. Põe-te confortável, à vontade. O meu coração será sempre a tua casa.
E ao dizer isto, encho-me de uma paz e serenidade indescritíveis.
Agradecer-te nunca será suficiente. Mas sei também que não é necessário.